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Mostrando postagens de outubro, 2024

Tudo passa, espero que sim

Como descrever o vazio? Essa sensação de nada. De querer gritar ou até mesmo falar e não conseguir. Querer quebrar, rasgar, tornar a realidade diferente e não poder.  Caímos no imenso espaço que descobrimos dentro de nós mesmos. Nos desmanchamos. Machucamos.  Está frio. Escuro. Mas reza a lenda que é uma fase. Lá em cima, além de nosso ser e céu o sol brilhar. Espero que sim. 

Perspectiva

Sem paciência. Problemas. Situações. Pessoas ou simplesmente esses serezinhos que chamamos de gatos (mas poderiam ser outros... vai depender das metáforas individuais). Tudo colabora para essa sensação interna de inconformidade, desejo de fuga ou mesmo essa vontade de inerciar-me em mim mesma. Por vezes, paro para observar. Melhor contar até três do que exceder os limites. E observando o que acontece crio uma nova perspectiva: a visão de quem se abstém da realidade presenciada. Em câmera lenta vejo o vai e vem das pessoas que, nesse ritmo lesmante, chegam sempre ao mesmo lugar. Um movimento inquietante para quem parou três segundos para analisar uma simples situação corriqueira e monótona. E logo depois me vejo novamente no vendaval problemático da existência humana.  Andréa Reis Barbosa

Meu Retrato

"Eu não tinha este rosto de hoje, assim calmo, assim triste, assim magro, nem estes olhos tão vazios, nem o lábio tão amargo. Eu não tinha estas mãos tão sem força, Tão paradas e frias e mortas; Eu não tinha este coração Que nem se mostra. Eu não dei por esta mudança, Tão simples, tão certa, tão fácil: – Em que espelho ficou retida a minha face?" Retrato, Cecília Meireles Passei boa parte da vida até aqui sem entender este poema de Cecília.  Hoje me reconheço nele e me faço as mesmas indagações. Me lembro que era uma adolescente alegre, sorridente, empolgada para viver. E tinha em mim um propósito: jamais perder essa alegria e empolgação.  Mas nem sempre conseguimos o que queremos. Nem sempre conseguimos remar contra a maré. Mesmo porque muitas vezes nem sabemos o que é mar e muito menos correnteza. Quando somos mais jovens não percebemos a onda nos levar; nem o vento bagunçar as coisas; nem sentimos o marcador da existência nos ferrar com lições necessárias, mas doloridas. N...

pensamento

Me vejo em um lugar. Não é confortável. Mas com o tempo aprendi que nada é ideal. E está tudo bem. Mesmo sabendo que está tudo bem, não me sinto bem. Vontade de correr por aí. Mas não tenho pernas nem fôlego para tanto. Me refugio nas estórias, nas literaturas ou nas "Netflixes" da vida. E me vejo repetindo as estórias já lidas, já assistidas... de novo de novo e de novo. É um lugar seguro e amigável. Reconfortante viver outras estórias, pelo menos na fantasia dos livros e das telas. E nos intervalos volto à minha origem, às minhas questões diárias causadas pela Vida e por minhas decisões perante Ela. Uma história criada em conjunto, por mim e por Ela. E está tudo bem. É assim que deve ser. Andréa Reis Barbosa